A ARTE DA CALMA na Integração Plena

A ARTE DA CALMA na Integração Plena

A vida atual tem para muitos de nós o denominador comum da presa e da impaciência, do prazer hedonista, de querer obter as coisas e as recompensas no imediato, da fugacidade das coisas e das pessoas, até. Estamos a tolerar o excesso de estímulos que nos invade e com isso, vamos sempre à procura de mais, sempre mais, dominados pela insatisfação e ante a incapacidade de sentirmo-nos preenchidos, realizados e gratos.

Assim, tal vez encontremos resistência à aceitação natural das coisas, dando lugar a um conflito interno, que por sua vez poderá manifestar-se em maior ou menor medida nas demais áreas da nossa vida.

Somos capazes de disfrutar do que vivemos sem nos encontrarmos numa atitude constante de querer sempre outra coisa?

Cabe a reflexão.

Uma pausa antes de reagir por mero instinto.

Ganhar a capacidade de criar uma distância entre o que somos e o que se nos presenta, entre o ser e a realidade.
Se tomamos de facto um momento para refletir, podemos permitirnos o privilégio das 3 Ps: “Parar Para Pensar”. Ou então, observar, apenas. Pois virá, com calma, o pensamento certo. E aí, somos, estamos. Presentes. E damos, com calma, com o que estávamos à procura: o “à vontade comigo mesmo”.

Aparece entre a bruma da alienação do Ser Humano na que vivemos uma questão vital: voltar às origens, Back To Basics. E retomamos o fio. Origem. Propósito. Sentido. E conseguimos assomar a cabeça fora da bolha sendo o que o que verdadeiramente somos. E só assim poderemos viver e trabalhar melhor e com Alto Desempenho, criar negócios e empresas sustentáveis, liderar pessoas de forma eficiente, contribuir quantitativa e qualitativamente com a sociedade, ser e fazer mais e melhor.

Friedrich Nietzsche assinalou 3 tarefas que considerou necessárias para a formação de una “cultura aristocrática”, entendendo o aristocrático não como una categoria de exclusão, mas sim elevada, una forma de apreciar a vida dotada de um sentido especial, diferencial. Segundo Nietzcshe, na sua obra O crepúsculo dos ídolos: Devemos aprender a ver, pensar e falar com calma.

Habituar o olho à calma, à paciência, a deixar que as coisas se nos aproximem, a aprazar o juízo, a rodear e abraçar a particularidade dos temas, desde todos os lados.

Como? Mediante o Autoconhecimento e a observação de nós próprios.

Com que fim? Se calhar não exista uma única resposta a esta pergunta, mas, a calma e a paciência podem fazer surgir o sentido da vida, ou a razão pela que temos determinadas experiências e a causa por trás dos factos que nos ocorrem.

O “deixar que as coisas se nos aproximem” do que fala Nietzsche é um intervalo precioso entre a antecipação e o facto em si, entre o pensamento e a ação, uma espécie de vacum que, pode preencher-se inesperadamente pela imprevisibilidade da existência e pelo trabalho conscientemente realizado sobre a própria Integração Plena.

Chama-se calma e custou-me muitas tormentas.
Chama-se calma e quando desaparece…. saio outra vez à sua procura.
Chama-se calma e me ensina-me a respirar, a pensar e repensar.
Chama-se calma e quando a loucura a tenta, desatam-se ventos bravos que custa dominar.
Chama-se calma e chega com os anos quando a ambição de jovem, a língua solta e a barriga fria dão lugar a mais silêncios e mais sabedoria.
Chama-se calma quando aprende-se bem a amar, quando o egoísmo da lugar ao dar e o inconformismo se desvanece para abrir coração e alma entregando-se por inteiros a quem queira receber e dar.
Chama-se calma quando a amizade é tão sincera que caem todas as máscaras e tudo pode-se contar.
Chama-se calma e o mundo a evade, a ignora, inventando guerras que nunca ninguém vai ganhar.
Chama-se calma quando o silêncio se disfruta, quando os ruídos não são só música e loucura, se não o vento, os pássaros, a boa companhia e o ruído do mar.
Chama-se calma e com nada se paga, não há moeda de nenhuma cor que possa cobrir o seu valor quando se torna realidade.
Chama-se calma e custou-me muitas tormentas e as transitaria mil vezes mais até voltar a encontra-la.
Chama-se calma, disfruto-a, respeito-a e não a quero largar…

(Dalai Lama)