Design Thinking no reforço da CULTURA ORGANIZACIONAL

Design Thinking no reforço da CULTURA ORGANIZACIONAL

A Cultura Organizacional é tão importante na Estratégia de Negócio como a qualidade dos produtos ou serviços que vendemos. Infelizmente esta não é ainda uma realidade 100% aplicada nem vivida na maior parte das Empresas, apesar de que os inputs recebidos como consequência da sua verdadeira integração, cada vez mais arranjam short-cuts para se manifestarem nos resultados de negócio.

De acordo com a Ernst & Young, 55% das empresas do  FTSE 350 aumentaram em 15% os seus lucros operacionais ao investir na sua Cultura Organizacional. 92% dessas empresas confirmaram também a melhoria nos seus resultados financeiros.  CEOs e líderes de RH agora reconhecem que a Cultura impulsiona o comportamento das Pessoas, a Inovação e o Atendimento ao Cliente. 82% dos entrevistados numa pesquisa da Deloitte acreditam que “é uma vantagem competitiva potencial e exponencial”. A PWC reporta que 84% dos líderes acreditam que a Cultura Organizacional é crítica para o sucesso da sua Organização. 60% acham que é mais importante do que a estratégia ou o modelo operacional.

É verdade que o crescente reconhecimento da Cultura Organizacional faz com que as Empresas cada vez mais olhem para a mesma com olhos de ver. Perante uma oferta em massa de produtos e serviços que vão de encontro à satisfação das nossas necessidades e de tornar a nossa vida cada vez mais confortável, o diferencial dos negócios passa pelos Valores que neles se incutem. Assim, quando compro um produto ou serviço, estou a comprar os valores que a marca desse produto ou serviço transparece. Simples.

Para um posicionamento coerente no mercado, estes Valores devem fazer parte da Visão, Missão e Objetivos da empresa e não podem estar mais dissociados. O Perfil Estratégico deve ser neste sentido transversal e único. A Estratégia de Negócio deverá incluir a Cultura Organizacional por Valores e o Plano de RH deverá promove-la sempre de uma forma efetiva e palpável.

Para isso, deveremos evidenciar em primeiro lugar um alinhamento por parte das Lideranças. Falamos mais uma vez de Líderes Conscientes que têm que trabalhar-se a si mesmos e realinhar-se de forma permanente. A Cultura Organizacional torna-se chave para o comprometimento, e o comprometimento é por sua vez a chave para o engagement  dos colaboradores.

O engagement surge quando a Organização oferece aos colaboradores oportunidades para satisfazer as suas necessidades e desejos, que passam a ser tão importantes como as necessidades e desejos dos clientes. Este compromisso dá um sentido de significado –  Propósito – que tinge todo o ecossistema da Organização, quando os colaboradores são capazes de expressar totalmente a sua criatividade, conectar-se com outras pessoas para fazer a diferença, enriquecer as alianças e parcerias e dar uma contribuição duradoura para o bem-estar próprio e de todos os stakeholders. Assim, a confiança, mais crucial agora do que nunca,  aparece nas Organizações quando há um compromisso com esta coesão interna, com este Propósito comum e conjunto.

 

Na prática, a implementação de todos estes key factors , poderá ser realizada através de metodologias como o Design Thinking, que se apresenta útil e disponível para um dia-a-dia nas Empresas que decidem investir na melhoria continua da sua Cultura Organizacional.

“O Design Thinking (DT) tem sido aplicado principalmente no desenvolvimento de novos produtos, serviços e modelos de negócio. No entanto, o DT é também um método muito eficaz para inovar a Cultura Organizacional, nomeadamente nas formas de gestão e liderança, no (re)design da estrutura organizacional e dos seus espaços, na motivação dos colaboradores e no combate à fuga de talento. Considerando a velocidade das transformações sociais, económicas, políticas e tecnológicas nesta crise de Covid-19, as Organizações precisam adaptar-se para fazer frente a essas mudanças “

(Katja Tschimmel -MINDSHAKE)

No processo de DT são reveladas as necessidades e expectativas reais dos colaboradores, dos utilizadores e dos outros stakeholders, e são desenvolvidas soluções que respondem perfeitamente a estas necessidades e expectativas, como por exemplo o reforço da Marca Empregadora ou a implementação de um plano de Gestão da Felicidade.

Sendo estes dois temas importantes e urgentes no processo de repensar a Cultura das Organizações, desde a parceria MOLA-MINDSHAKE trabalhamos ambos através dos seguintes Programas:

Design Thinking for Employer Branding (EB) – A Estratégia Co-Criativa da Marca Empregadora, tendo em conta o match entre os RH e o Marketing na Organização, onde o mais importante poderá ser a ligação harmoniosa entre ambos. Acontece na realidade de muitas estruturas organizacionais não tão flexíveis, que não existe um fluxo orgânico de comunicação direta entre estes 2 pilares fundamentais para a estratégia de EB. Partilhar informação de forma assertiva e transparente nomeadamente entre estas 2 áreas é fundamental para conseguir o alinhamento entre Comunicação Interna e Externa e que ambas consigam refletir de forma transparente a Cultura da Organização.

Poderemos fazer-nos algumas perguntas para avaliar o estado da Cultura Organizacional:

. Existe neste momento uma projeção clara de imagem de marca no sector de atividade específico e fora de ele? Esta projeção é atrativa para captar talento?

. Contamos com algum plano que possa enriquecer e nutrir alguma das estratégias de RH através dos diferentes canais de Marketing que ajudam no reforço da Marca Empregadora?

. Uma vez que o talento já está in-house, estou a implementar de forma efetiva diferentes soluções que me ajudem satisfazê-lo, a projetá-lo para uma realização maior?

É interessante começar a utilizar a expressão realização do Talento em detrimento da palavra “retenção”, pois o que pretendemos é a expansão, crescimento e sustentabilidade do mesmo.

Design Thinking for Happiness Management (HM) – O Processo Co-Criativo da Felicidade no Trabalho, tendo em conta a employee experience e o HM como Modelo de Gestão, onde o papel  do colaborador é fundamental, pelo que ele se torna o principal protagonista e gerador de inputs de rentabilidade para a Organização. A Felicidade no Trabalho é importante para o negócio, já sabemos isto pelos índices de turnover e burnout apresentados pelos inúmero estudos realizados por entidades como a DECO. É  importante garantir inspiração e motivação no clima da Organização através de:

. um processo de higienização que basicamente consiste num stop-doing, parar de fazer o que não funciona ou que não nos está a proporcionar o que pretendemos.

.um percurso de ideação de experiências memoráveis para os colaboradores, a ser implementadas posteriormente. Não será preciso um acontecimento especial; hábitos e rituais inovadores podem ser aplicados desde o processo de recrutamento e on-boarding, passando pelas avaliações de desempenho, processos de desenvolvimento e promoção interna, até o salário emocional e a conciliação, sem esquecer o mais importante: as práticas frequentes num day-to-day basis que acabam por fazer toda a diferencia no work-life blend do colaborador, e contribuem para o objetivo principal do HM que é o reforço  do vínculo indivíduo-empresa-sociedade.

Versão completa do artigo Reforçar a Cultura Organizacional através do Design Thinking publicado a 21 Outubro 2020 na RH Magazine – digital –