"INTER-EMPREENDEDORISMO": A Colaboração entre Empreendedores e Empresas

"INTER-EMPREENDEDORISMO": A Colaboração entre Empreendedores e Empresas

A nossa carreira já não é mais, na maior parte dos casos, um emprego das 9 às 18 até a reforma. O ciclo de vida, com tudo o que contém, é também a nossa carreira, pois vida e carreira hoje em dia vão de mãos dadas e a tendência é cada que cada vez mais ambas não se isolem.

O percurso profissional poder ser desenvolvido através de diferentes caminhos e possibilidades. Às vezes são idas e vindas de contextos multinacionais para projetos mais do tipo startup, outras progressões multidisciplinares em zig-zag, outras vezes são mudanças de sector de atividade, localidade ou país, etc. É é este o horizonte que se avista. A impermanência e as mudanças do VUCA e do nosso próprio Desenvolvimento Pessoal nos dirigem a um WorkLife One que já faz parte desta  nova Era.

No fim de semana passado estive em Amsterdam e delirei com o modus vivendi lá. As pessoas são súper empreendedoras, sérias e trabalhadoras. O seu cuidado e qualidade ao fazerem as coisas não é impedimento para a otimização do seu tempo, pois sabem que o tempo é dinheiro e eles têm uma cultura do dinheiro muito particular. Provavelmente é por isso que a Holanda é o 5º pais mais rico da Europa. Isso, e a convivência de negócios locais particulares com grandes empresas como a Shell, A Randstad ou a C&A por dar algum exemplo local.

E é disto que vai este artigo. De riqueza; quantitativa e qualitativa. Não só pnão é reciso e muito menos recomendável, monopólios de empresas de produtos e serviços, como é fundamental termos diversidade. Diversidade dimensional fruto da especialização. Deixar lugar para todos. Essa é a verdadeira riqueza, pois não se aprende só dos grandes e não só as grandes empresas ensinam, formam ou desenvolvem talento e potencial.

As startups e os inter-empreendedores especializados, que atuam como intra-empreendedores nas grandes estruturas, são súper importantes alavancas de progresso e evolução, são o futuro das empresas. Deixar que o ar fresco entre pela janela é crucial para desapegar-nos do “isto sempre foi feito assim”, ou da crença limitante de que apenas existe um caminho. Mindset flexível, coração aberto, transparência acima da mesa e disponibilidade de experimentar erro-sucesso como parte da Cultura Organizacional.

Os Gestores, Administradores e HR Managers que vem este tipo de colaboração como uma oportunidade para a inovação e o crescimento, pensam mais além da eficiência, e deixam que a facilitação aconteça, pois eles próprios são os primeiros facilitadores desta evolução.

A aposta na facilitação e no “deixar que outros façam” permite delegar em parte, as estratégias organizacionais em expertos de cada uma das áreas, evitando assim a estagnação e o facto de trabalhar arrastados pela força da inércia ou das rotinas já expiradas. Num mercado que cada vez mais se satura de estratégias empresariais baseadas nos custos e nos preços, inovar é a nova estratégia contra o comodismo.

É muito difícil a inovação, produtividade e gestão do tempo sem  permitir este inter-empreendedorismo, sem esquecer o intra-empreendedorismo dos próprios colaboradores da Organização.

Nos processos de inovação o “aprender a aprender” (adoro esta expressão porque coloca-me num estado de space-time-continuum muito agradável) e o conhecimento partilhado são as bases. Quando aprendemos, aprendemos também a desaprender para poder continuar a aprender.

Inovar não depende da tecnologia ou da digitalização dos processos, estas são facilitadoras. Inovar depende das pessoas, da co-criação , da co-produção, da co-comercialização e de todos os “co” que apresentam mais-valias para Pessoas e Organizações.

O “que” não é tão importante como o “porque” ou o “como”.

O inter-empreendedorismo, seja ele uma pessoa ou uma entidade/ empresa, dispõe do conhecimento e das habilidades para poder transmitir e efetivar o que se pretende de forma marcante. Tem a capacidade de visionar e de fazer fácil o aparentemente difícil. Permite lançar e testar protótipos que vão nutrir a organização interna e planificar as metas e a medição do desenvolvimento continuo. Promove a criação de um círculo de apoio e de sustentabilidade. Requere apenas de um relacionamento bidirecional sólido. É assim que aprendemos todos. Aprendemos a aprender num modelo horizontal des-hierarquizado, mesmo que alguns ainda não gostem da ideia.

Os inter-empreendedores são espelhos onde podemos contemplar-nos, inspirar -nos, olhar-nos cada dia e carregar-nos de energia; motivar-nos. São agentes de mudança e de Gestão do Talento.

Empresas que percebem a importância do Employer Branding para que o verdadeiro Talento vá para elas, percebem também que precisamos uns dos outros para o desenvolvimento desse Talento, pois Talento é expertise, conhecimento, conteúdo, profundidade e background, mas também é possuir “o drive”, as soft skills, de forma transversal e transgeracional. Isto é o que realmente aporta valor diferencial nos dias de hoje.

Que porque aportam valor diferencial? Porque procuramos coisas diferentes, valorizamos coisas diferentes. É a consequência do evoluir social e do sentido de Propósito.

Pode-se ir mais além, ouvir e escutar de forma ativa, e ter em conta, longe do ego. Pode considerar-se a atitude como esse próprio “drive”, e por tanto reconhecer e valorizar a atitude e não as “cunhas” ou as referências, que ficam obsoletas num mundo onde já não queremos influencers, queremos inspirers.

Vamos sair da roda! Tal e como fizeram Nintendo e Sony, o que permitiu o nascimento da PlayStation, ou se falamos de intra-empreendedorismo como fez a 3M quando permitiu que um dos seus colaboradores criasse o Post-It, resultado de uma tentativa de um outro colaborador por desenvolver um adesivo para a indústria aeroespacial e que inicialmente falhou, mas que numa segunda fase foi resgatado por um outro colaborador que o utilizou como marcador de páginas, porta-recados e transmissor de ideias. Hoje em dia esses pequenos retalhos de papel às cores são considerados “bens essenciais” para muitos, e um selo de inovação permanente.

“Estamos sempre, num caminho para outro caminho”