LIMINAL: The Journey in BETWEEN

LIMINAL: The Journey in BETWEEN

Liminaridade (do latim: līmen) é um estado subjetivo, de ordem psicológica, neurológica ou metafísica, consciente ou inconsciente, de estar no limite ou entre dois estados diferentes de existência. Assim é definido na Neurologia e nas teorias antropológicas.

O estado liminar (“limite” ou “fronteira”) é quando não se está nem num sitio – físico ou mental- nem em outro. É estar numa espécie de limbo, num umbral entre uma coisa que já foi e outra que está por chegar. Liminar alude a um estado de abertura e ambiguidade que caracteriza a fase intermédia de um tempo-espaço tripartido (una fase preliminar ou prévia, una fase intermédia ou liminar e outra fase posterior ou pós-liminar).

A liminaridade relaciona-se directamente com uma manifestação anti estrutura e anti hierarquia da sociedade. Refere uma situação onde uma comunhão “espiritual” genérica entre os sujeitos sociais ultrapassa as especificidades de uma estratificação. Trata-se, por tanto, do momento onde as diferenças triviais ficam suspensas, o que precisamente vai facilitar “o passar” de um modelo social para outro.

Este outro ainda não sabemos muito bem como vai ser. E está tudo bem. Faz parte deste estado liminar.

Carl Jung falava que o Ser Humano é capaz de afrontar qualquer adversidade sempre e quando consiga compreender a razão, o porquê.

Bem, às vezes vão ficar muitos porquês pelo caminho, ou então apenas serão desvendados mais a frente, pois nem tudo o que aprendemos na nossa evolução como Seres Humanos é imediato. Ás vezes, o inconsciente, individual ou colectivo, só se revela a posteriori.

É aqui onde o “medo ao desconhecido” vai ganhando terreno, se o deixamos.

As pessoas têm medo de coisas que não podem ser explicadas. E na verdade, as pessoas têm medo de não ter o controle sobre as cosias. Este Covid vem para evidenciar que de facto o que quer que cada um entenda como controle, é uma falsa segurança,  uma ilusão criada pela mente humana.

Precisamos da mente para entender, mas deixa de ser adequado, a determinada altura, sofrer ou ficarmos preocupados, irritados, frustrados e em sofrimento, por factos inevitáveis.

O sofrimento tem como base a seguinte fórmula:
expectativas criadas + falta de objectividade = resistência.
E a resistência nega a realidade.

O poder da mente pode alimentar ou destruir a essência do nosso Ser. Daí que seja muito importante questionar-nos sobre esse poder, o da mente, o único sobre o qual de facto podemos trabalhar com Sankalpa. Sankalpa é um término sânscrito cujo significado dista muito de querer controlar o que quer que seja. É a entrega motivada pelo querer, não pelo resultado.

Sankalpa responde à seguinte fórmula:
intenção + força de vontade = aderência.
Aqui a aderência à realidade acontece.

Este Sankalpa rende-se por sua vez à consciência como um princípio organizador. Existe uma ordem, perfeita, que permeia toda a existência, sobre a qual por momentos, como pode ser o actual, apenas poderemos entregar-nos e transcender.

O resultado de transcender é a metamorfose.
Metamorfose = transformação + transmutação

Não existe transformação sem consciência nem transmutação sem ação. A consciência é revelada muitas vezes nestes estados de liminariedade, a partir dos quais, chegado o momento, e após termos feito o que deve ser feito, a mudança se manifesta.

E como saber que estamos a fazer o que deve ser feito?

Essa é uma reflexão que cabe a cada um. O Dharma, cuja tradução literal é “aquilo que sustenta, que mantém”, mas que podemos definir como a verdade de cada um, o propósito, vive no coração. O alinhamento com esse Dharma requer temperança. O Covid só veio para dar um boost no processo fazendo-nos entrar neste modo eremita, que nos obriga a olhar para as nossas sombras sem poder sair da gruta, e contempla-las até sermos 1 com elas, para assegurar que não vamos fugir mais, que vamos abraça-las até se tornarem luz.

Estamos ante um momento de muito potencial, não de inércia, que recursos vais utilizar? De que pensamentos/ emoções e acções vais servir-te para ser o alquimista da tua vida a partir de agora? Quais os “elementos” que vais precisar queimar, reutilizar e reconverter? Estás a aproveitar ao máximo a vida que te foi dada  ou o automatismo é quem rege? E a última e mais importante, como gostarias de ser recordado quando já não estiveres mais aqui? Esta poderá ser possivelmente o trigger das anteriores. Vê.

Toma um tempo para responder a estas perguntas. Utiliza este recolhimento, esta pausa, para trabalhar-te através de um  autoconhecimento vivo, sem filtros. Este modo stand-by, mesmo que agora se apresente opaco, sem dúvida vai fazer de ti uma pessoa mais motivada e realizada quando chegar o momento de clickar no ON.

Lembra que mesmo naqueles dias que parece que nada se passa, muita coisa acontece.

Lembra também, que poderemos ter na vida situações mais ou menos favoráveis/ agradáveis. Mas todas elas fazem parte da nossa experiência/ aprendizagem. É só isso.

“No mundo real as coisas começam pelo início. No mundo quântico, as coisas começam pelo fim. Pensar quântico significa marcar-te um objetivo e começar a conquista-lo desde a cima. Ao evitar os estados intermédios, o espaço-tempo é eliminado. Pensa em vertical”. (Manuel Números)