Meditação para MENTES EXECUTIVAS

Meditação para MENTES EXECUTIVAS

“A criatividade e a inovação somente surgem de uma mente limpa” (Rajshree Patel)

Quando ensino meditação, independentemente de qual seja o contexto, sempre convido as pessoas a fazer a seguinte reflexão:

Vocês tomam banho todos os dias? Normalmente a resposta é sim, e ainda bem 🙂 Se vocês limpam o vosso corpo todos os dias porquê não fazem o mesmo com a vossa mente?

O processo de higienização pessoal passa por ambos, corpo e mente, e torna-se indispensável nos dias “barulhentos” de hoje onde os estímulos são tantos e a informação é tão dispersa.  A digitalização e a ausência de tempo para nós,  invadem-nos afastando-nos das nossas emoções reais e das nossas virtudes essenciais. O nosso poder interno fica fragmentado. Estamos a falar de indivíduos fragmentados a trabalhar para empresas fragmentadas dentro de uma sociedade fragmentada? Cabe a todos e cada um de nós, transformar esta realidade e trabalhar na nossa integridade.

Para isso torna-se fundamental olharmos para dentro. A meditação traz-nos isso. Faz-nos conectar connosco, para melhor conectar com o ecossistema profissional e social onde estamos inseridos. Só quando nos permitimos fazer este trabalho a vulnerabilidade tem porta de entrada para aflorar, e já sabemos o quanto é importante sermos líderes vulneráveis para projectar desde uma segurança conquistada e não fingida ou impostora.

Meditação e Liderança

Os líderes que hoje ocupam os “palcos” das principais empresas, estão a recorrer cada vez mais a este tipo de práticas na sua rotina, nomeadamente no que eu chamo de “morning-daily-habits”, mas não apenas nesse timing, também noutros momentos ao longo do dia. Independentemente da meditação ser #trendingtopic, a sua incorporação está a ganhar peso  pela necessidade (conseguir acompanhar o ritmo) e pela efetividade (conseguir fazer melhor as coisas). E já sabemos que o Ser Humano só muda por 2 motivos fundamentais: por imperativa necessidade ou por muita, mas muita vontade.

Hoje em dia somos movidos pelo intuito de aproveitar o nosso máximo potencial, e as novas lideranças vêm com uma aposta clara: o serviço e a inspiração. Um líder inspirador precisa de energia para passar aos outros, precisa de ser criativo e inovador, precisa de cultivar a sua auto-motivação para melhor motivar e incentivar a todos à sua volta, precisa de se auto-gerir para conseguir gerir à sua equipa e tomar melhores decisões, e precisa de ser auto-confiante para transmitir essa confiança no compromisso com os seus desafios diários.

Com tantas exigências e responsabilidades, os líderes estressam e um líder estressado pode acabar tendo um impacto negativo no trabalho que realiza e  “contaminando” aqueles com quem trabalha.

A meditação não apenas reduz o nosso stress e aumenta o nosso bem-estar, como também ativa o que em sânscrito é chamado de titiksha, que quer dizer: capacidade de acomodação. Onde a resiliência induz subtilmente à resignação ou esforço, a capacidade de acomodação parece encaixar melhor e ter mais versatilidade, ao colocar-nos num lugar de aceitação e transcendência, e sem dúvida noutro patamar de consciência.

Costumo falar nos Workshops de Reprogramação Emocional ou Ultraproductividade (produzir no nosso máximo potencial, sem perdermos qualidade de vida), que o nosso nível de Desenvolvimento Pessoal não depende mais de competências, e sim de níveis de consciência. É aí onde está o nosso “to do” em relação ao Autoconhecimento, na consciência que colocamos nas experiências que a vida nos apresenta.

Quanto mais responsabilidades alguém tem numa Organização mais energia (boa e calma)  vai precisar no seu sistema. Por isso os executivos são tão beneficiados pelas técnicas de meditação.

Confiantes nessa teoria, grandes organizações como Shell Oil, 3M, IBM ou Morgan Stanley têm incorporado Workshops sobre meditação, assim como sessões meditativas periódicas. O fundador do grupo Virgin, Richard Branson, afirma que o bem-estar e o desenvolvimento dos seus colaboradores passa sem dúvida por aqui.

Também o hábito de meditar tem sido adotado por empresários bem sucedidos que ficaram adeptos desta disciplina, como Steve Jobs, – fundador da Apple, o produtor musical Russell Simmons, Jack Dorsey – CEO da Square e co-fundador do Twitter ou Oprah Winfrey, quem acredita que a meditação está directamente relacionada com a sua qualidade de vida, eficiência no trabalho e sensação de paz. Oprah tem uma rotina que inclui uma prática de 20 min pelo menos uma vez por dia, e nos dias mais estressantes, duas, de manhã e à noite.

Mas, o que é a Meditação exactamente?

Há uma frase que é muito dita e ouvida: “Vou meditar sobre o assunto” que induz a pensar que a pessoa vai refletir, ponderar e/ou tomar alguma decisão sobre o que quer que seja. Nada mais longe do que a meditação propriamente é.

A tendência da mente é adiar a paz da mente e através da meditação conseguimos transformar esse padrão. A meditação é acalmar “the monkey mind” a mente que é como um macaco e que está sempre a gritar e a atropelar-nos com pensamentos.

Ao entrarmos em estados meditativos o fluxo de pensamentos decresce e segue sem julgamento, é o que chamamos “mente de observador”.  Com a prática, somos capazes de colocar esta mente de observador no nosso dia-a-dia-quando é preciso. Em estados meditativos mais profundos, os pensamentos deixam de aparecer e o racional dá lugar à quietude e à serenidade da mente, onde a intuição é subtilmente desenvolvida e a equanimidade é cultivada.

Com a equanimidade valores como: honestidade, confiança e discernimento são desdobrados. E através destes valores, conseguimos tomar melhores decisões, que sem dúvida vão ter impacto na estrutura organizacional da qual fazemos parte.

A meditação não se resume apenas a uma técnica: são várias a depender do grau de experiência e do efeito pretendido. Também as linhas (Yoga, Budismo-Zen etc) determinam estas variações, que, no entanto, não influenciam o resultado final, pois o efeito produzido no cérebro é muito similar entre elas.

O cérebro e o sistema nervoso são transformados (mais consciente ou inconscientemente) através da prática. Começa então a desactivação do paradigma “congela, luta ou fuga”, em prol do caminho da não evasão, da tal integridade. Pois o objetivo aqui não é outro que ganharmos a capacidade de estarmos bem com aquilo que não está bem na nossa vida, e reforçar o nosso campo bio-energético para a não resistência da nossa experiência actual.

As pontes entre a ciência e a espiritualidade, cada vez mais sólidas, demonstram da mão da Neurociência e da Psiconeuroendocrinologia, que a meditação muda a estrutura cerebral e molecular, assim como a nossa expressão genética, e pode provocar também mudanças significativas nas regiões cerebrais associadas à memória ou ao sentido do Ser (eu).  A influência que a meditação tem na cognição humana vai-se manifestar na maneira como concebemos novas ideias e como sentimos os acontecimentos, ganhamos novas e melhores perspectivas.

Benefícios da Meditação para os Executivos

Assim, a  meditação funciona como uma espécie de “musculação mental”, ajuda imenso a lidar com os inúmeros estímulos do mundo corporativo. As multi-tarefas vão continuar a existir, pois as empresas precisam de resultados, mas o compromisso com a meditação vai tornar esse processo mais funcional e orgânico. A disciplina e a constância são as chaves para conseguirmos aprofundar e produzir verdadeiras transformações.

Com a meditação obtemos:

  • Mente clara e visão estendida
  • Abandono do “piloto automático”
  • Potencialização do pensamento criativo
  • Potencialização da inovação
  • Recuperação do entusiasmo e da motivação intrínseca.
  • Atenção e concentração (no córtex cerebral)
  • Armazenamento e memória (no hipocampo)
  • Regulação emocional (na amígdala)
  • Capacidade de relaxamento (no hipotálamo)
  • Familiarização com o estado de serenidade
  • Empatia – base da inteligência emocional – permanente
  • Reforço da intuição
  • Foco, concentração e fluidez nas decisões
  • Profissionais serenos – tipo mentor –

A meditação tem-se apresentado como um “curatudo” para o bem-estar físico, mental e emocional e como o “santo graal” da produtividade.  Como consequência temos observado cada vez mais adeptos desta prática milenar, e a pressão de meditar na sociedade actual parece vir com força. No entanto, cabe lembrar que a meditação  também tem os seus riscos quando praticada sem conhecimento através de apss, youtube e afins, pelo que é importante a presencia de alguém, uma pessoa física, humana, que nos ensine até conseguirmos enveredar este caminho sozinhos.

Artigo publicado na edição 126, janeiro/fevereiro 2020, da RHmagazine