Qual o cenário por trás do BURNOUT?

Qual o cenário por trás do BURNOUT?

1 de cada 3 colaboradores em risco de Burnout em Portugal?!?! (Estudo DECO)

Burnout. Ponto de não retorno.

Quando chegas ao burnout em qualquer área da tua vida, existe sempre pelo menos um ponto, se não vários, de não retorno. Estes pontos são em certa forma os meus preferidos, porque são os que, por incrível que pareça, nos permitem avançar. São, aparentemente, pouco amigos estes pontos, mas de uma importância vital.

Recentemente foi descoberto cientificamente que traumas ou situações de esgotamento ou desgaste extremo nas nossas vidas podem originar alterações genéticas e significativas do nosso ADN. O ser humano que habita nesse momento crítico faz uma espécie de reset com o intuito de voltar ao seu estado puro, à conexão com as origens – back to basics – com o que cheira a verdade e a essência em nós mesmos.

As emoções, são aquelas que se as deixamos, nos revelam melhor o que precisamos saber. Aquém delas, muito do que vivemos é apenas prefabricado, ou dominado pela anestesia de viver no modo “máquina de lavar” como diz o meu colega Hugo. Daí que cada vez mais a Inteligência Emocional seja uma hard skill e que estejamos a viver a Era do Desenvolvimento Pessoal, que cada vez mais vai obrigar-nos, e ainda bem, a fazer uma inversão dos nossos valores; dos que temos como Indivíduos e dos valores das Organizações, e consequentemente, da Sociedade.

Não existe evolução sem transformação, nem transformação sem consciência. As empresas têm que perceber isto. O ser humano está em processo de conexão consigo próprio, não querendo mais saber e não identificando-se mais com tudo o que não tenha a ver com este facto.

Os dados são alentadoras quando comprovamos que os programas de bem-estar no local de trabalho também estão aumentando: atualmente, estima-se que o investimento de 50 bilhões USD deve crescer 7% até 2025.

Mas, apesar do foco cultural e emocional no bem-estar no trabalho, a ênfase de hoje num ambiente de trabalho saudável continua desconectada das soluções estratégicas e fica totalmente “delegada” no colaborador. A mensagem parece ser: “Aqui estão algumas coisas que vocês podem fazer. Ajudamos-vos com os vossos problemas, porque somos Administradores/ Gestores/ Líderes esclarecidos”.

Esta abordagem não reconhece a possibilidade mais complexa de que a própria Organização possa ser uma grande parte do problema. Além disso, segundo o programa “Illinois Workplace Wellness Study” as empresas não estão a medir se os programas oferecidos realmente fazem a diferença.

Sabemos que os principais fatores do stress do trabalhador – que o American Institute of Stress diz que custam ao país 300 bilhões USD anuais e que na Europa representam 60% dos dias perdidos – incluem longas jornadas de trabalho, prazos curtos e má gestão, e têm como resultado um fraco desempenho e trabalhadores infelizes.

Perante esta realidade qualquer programa de bem-estar corporativo, ou implementações de Happiness Management ficam sem efeito. Todo o dinheiro que as empresas estão a investir nos colaboradores, de alguma forma perde-se no momento que o colaborador decide abandonar o barco. E eles abandonam; been there, done that ☺

Temos razões para acreditar que os líderes querem ter e reter os melhores funcionários
, que eles tenham saúde para serem produtivos e felizes. É isto verdade? Genuinamente? Então, que lacuna é preciso preencher nos atuais programas de bem-estar corporativo?

A resposta está em uma lacuna crítica na forma como olhamos para o bem-estar. Quando falamos de bem-estar tendemos a significar saúde física e mental, o que pressupõe alívio do stress, mas esquecemos considerar o cenário por trás.

Um cenário flexível à realidade de cada colaborador, um ambiente onde as necessidades individuais sejam preenchidas, um mindset sem preconceitos nem julgamentos onde a confiança e o respeito estejam em primeiro lugar. Uma janela aberta para a transparência, inclusão, conciliação, liberdade horária, diversidade, entendimento, empatia extrema, valorização e gratidão.

Empresas que sejam capazes de sentir as emoções sem anestesiar-se a si próprias. Empresas que estejam dispostas a baixar o ritmo em prol de alcançar um ritmo sustentável (lucro com propósito transversal no tempo e nas formas), empresas que considerem o – back to basics – o futuro, e a equanimidade, o presente para chegar a tal. Empresas que não se fazem de humanas, mas que verdadeiramente o são.

A Humanidade precisa de reconectar-se consigo própria.

Precisamos voar.

Neo: Por quê me doem os olhos?
Morphews: Porque nunca os usaste.

A vida coloca-nos põe-nos provas. Ignora-las é como deixar de viver, desertar o nosso caminho.
No filme Matrix, o descobrimento da realidade faz vomitar e quase desmaiar ao protagonista. O oráculo diz exatamente o que ele precisa de ouvir, como a vida faz connosco. Quando a consciência se expande, não é possível voltar atrás (Thiago Duarte).

Morphews: Neo, em breve vais perceber como eu, que há uma diferença entre conhecer o caminho, e seguir esse caminho.